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A TODO VAPOR: Proibido por lei, lixão continua funcionando em Araputanga

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FONTE

A ideia da destinação correta para o lixo, visando a proteção do meio ambiente e  o fim da contaminação do solo e dos mananciais,  ainda não vigora na maioria dos municípios brasileiros.

Com muito esforço e a duras penas, os gestores públicos bem pagos com polpudos salários, conseguem apenas fazer a coleta nas residências e, nem sempre ela acontece diariamente conforme preconiza o Art. 40 da Lei 153 aprovada em 1992 na Câmara de Araputanga. Fotos do  lixão de Araputanga aqui

Uma iniciativa que também não vigorou na cidade, foi a colocação de tambores para coleta seletiva; se alguém fez a devida separação residual, no ato da coleta, todo o lixo terminou lançado no único caminhão, cujo destino final foi o “depósito” perigosamente realizado no mesmo perímetro, cerca de trezentos metros da cabeceira do aeroporto.

LEI SÓ NO PAPEL

Apesar da Lei nº 12.305 da Política de Resíduos Sólidos, estar em vigor desde agosto/2014 proibindo que sejam usados os lixões, a ideia do fim do lixão não pegou nos pequenos municípios, muitos sem projetos e, portanto, despreparados para enfrentar a demanda ininterrupta que vem das residências.

Há anos a população ouve dizer que o aterro sanitário em construção, na forma de consórcio no município de Mirassol D’ Oeste, resolverá todo o problema; a reportagem já esteve no local onde será a triagem do lixo, em construção em Araputanga, porém,  no passo em que as obras de serviços públicos geralmente andam, o chorume continuará a verter sobre o solo envenenando até as águas mais profundas.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

Na esfera jurídica, o Ministério Público já fez sua parte; investigou o problema e o denunciou à Justiça em Ação Civil Pública que tramita no Fórum de Araputanga aguardando decisão.

Enquanto os gestores públicos vão construindo pirâmides putrefatas “apaziguadas pelo fogo” com os resíduos sólidos recolhidos na cidade e, a sentença sobre o caso não é proferida, a natureza  que sempre nos abasteceu com seus doces frutos, pede socorro,  ao receber como resposta, o veneno que lhe devolvemos e, senão agora, em breve comeremos e beberemos das próprias toxinas que irresponsavelmente acumulamos.

CASO ANTIGO

A problemática do lixão de Araputanga há tempos precisa ter sua destinação final resolvida em definitivo em aterro sanitário. Desde o período em que o lixão era despejado nas proximidades onde está instalada a subestação de energia que o assunto pode estar sendo subestimado pelas autoridades.

ATÉ LIXO ENTERRADO

Enquanto investigava o assunto, uma fonte pediu anonimato ao revelar à reportagem que, em pelo menos duas ocasiões, houve gestores que mandaram enterrar o lixo e, em outra Administração, uma máquina de esteira fez valas no próprio lixão, cuja terra foi retirada e distribuída em caminhões para aterro de residências em construção; as mesmas valas foram preenchidas com mais lixo, colocando em risco o lençol freático.

INCINERÇÃO INDEVIDA

O fogo pode estar sendo usado como cura para esse mal; é comum aos condutores e transeuntes que trafegam na MT-175 perceber constante fumaça nas proximidades do distrito industrial araputanguense, porém, essas pessoas, nem sempre, sabem a origem de tal fogo.

Um fato estarrecedor foi registrado em 08/02/2012 quando  o incinerador de material hospitalar ainda funcionava no lixão; na ocasião, a reportagem encontrou centenas de embalagens de vacinas lançadas para serem incineradas em frontal descumprimento da legislação.

"NINGUÉM" DIZ NADA

O monumental descarte do lixão nosso de cada dia  “tem punhos invisíveis” prontos para enfrentar  as estratégias de todo gestor, cujas finanças e iniciativas se mostram falidas.  Talvez haja, porém o leitor da Folha, por acaso já ouviu alguém entre nossos políticos levantar a voz para enfrentar a questão? Quantos rounds nossos representantes aguentariam nesse “ringue” de luta? Essas perguntas, por enquanto encontram o eficaz silêncio, como resposta.